Sites falsos, links fraudulentos, ofertas enganosas e pagamentos por Pix estão entre os riscos que exigem atenção dos consumidores. Saiba identificar tentativas de fraude e proteger seus dados durante as promoções.

A Black Friday 2026, marcada para 27 de novembro, deve movimentar consumidores interessados em aproveitar descontos em eletrônicos, eletrodomésticos, roupas, produtos de beleza e diversos outros itens. Entretanto, o aumento da procura por ofertas também cria oportunidades para criminosos aplicarem golpes pela internet.

Entre as fraudes mais comuns estão páginas que imitam grandes varejistas, mensagens com promoções inexistentes, boletos adulterados e solicitações de pagamento para contas que não pertencem às empresas anunciadas.

Os golpistas costumam explorar o senso de urgência dos consumidores, utilizando expressões como “últimas unidades”, “oferta por tempo limitado” e “desconto exclusivo” para incentivar compras sem a verificação das informações.

Por isso, além de comparar preços, quem pretende aproveitar as promoções precisa observar a segurança dos sites, a reputação dos vendedores e os meios de pagamento disponíveis.

A seguir, confira os principais cuidados para evitar prejuízos durante a Black Friday.

1. Desconfie de descontos muito acima dos praticados pelo mercado

Um dos sinais de alerta mais importantes é a oferta de produtos por valores extremamente inferiores aos encontrados em outras lojas.

Embora a Black Friday seja conhecida pelos descontos, preços incompatíveis com o mercado podem indicar páginas fraudulentas ou anúncios enganosos.

Uma televisão vendida por uma fração do valor praticado por diferentes varejistas, por exemplo, merece uma análise cuidadosa antes da compra.

Criminosos podem utilizar imagens de produtos conhecidos, avaliações falsas e elementos visuais semelhantes aos de lojas legítimas para transmitir credibilidade.

A recomendação é comparar o preço em diferentes estabelecimentos e consultar ferramentas que mostram o histórico de valores.

Também é importante verificar se o desconto anunciado considera o preço normalmente praticado ou um valor de referência artificialmente elevado.

2. Confira o endereço do site antes de finalizar a compra

Os sites falsos estão entre as estratégias utilizadas para enganar consumidores durante grandes campanhas promocionais.

Essas páginas podem reproduzir logotipos, cores, fotografias e até a estrutura de navegação de lojas conhecidas.

A principal diferença costuma estar no endereço eletrônico, que pode apresentar letras trocadas, palavras adicionais ou terminações diferentes das utilizadas pela empresa verdadeira.

Para quem deseja aproveitar a Black Friday da Americanas, uma medida preventiva é acessar diretamente o endereço oficial da varejista, em vez de entrar por links recebidos em mensagens desconhecidas.

Também é importante observar se o domínio corresponde ao endereço legítimo da empresa.

O cadeado exibido no navegador e a presença de HTTPS indicam que a conexão utiliza criptografia, mas não garantem, isoladamente, que o site seja confiável.

Páginas fraudulentas também podem utilizar certificados digitais válidos.

Por isso, a verificação deve considerar o endereço completo, a identificação da empresa e a procedência da oferta.

3. Tenha cuidado com promoções recebidas pelo WhatsApp

Mensagens enviadas pelo WhatsApp, SMS e redes sociais são utilizadas para divulgar ofertas legítimas, mas também podem servir como instrumentos de fraude.

Durante a Black Friday, criminosos podem encaminhar links acompanhados de promessas de descontos exclusivos, brindes ou cupons de valor elevado.

Algumas mensagens solicitam que o consumidor compartilhe a promoção com outras pessoas antes de liberar o benefício.

Outras direcionam para páginas que pedem dados pessoais, informações bancárias ou códigos de autenticação.

Esse tipo de prática pode caracterizar phishing, técnica utilizada para obter informações confidenciais por meio de mensagens e páginas enganosas.

Antes de clicar, é recomendável verificar se a campanha aparece nos canais oficiais da loja.

Também é importante evitar o compartilhamento de códigos recebidos por SMS ou aplicativos de autenticação.

Essas informações podem permitir o acesso indevido a contas digitais.

4. Verifique a reputação do vendedor em marketplaces

Os marketplaces reúnem produtos comercializados por diferentes vendedores em uma mesma plataforma.

Esse modelo amplia a variedade de ofertas, mas exige atenção à identificação de quem efetivamente realiza a venda.

Antes de finalizar a compra, o consumidor deve verificar o nome do vendedor, suas avaliações, o histórico de atendimento e as condições de entrega.

Comentários de compradores anteriores podem ajudar a identificar problemas recorrentes, como atrasos, produtos diferentes dos anunciados ou dificuldades para solicitar reembolso.

Entretanto, avaliações também podem ser manipuladas. Por isso, é importante analisar o conjunto de informações disponíveis.

Outro cuidado é evitar negociações realizadas fora do ambiente oficial da plataforma.

Caso o vendedor solicite que o pagamento seja feito diretamente por mensagem ou transferência para uma conta particular, a operação pode deixar de contar com mecanismos de proteção oferecidos pelo marketplace.

5. Confira os dados antes de pagar por Pix

O Pix é uma forma de pagamento amplamente utilizada no comércio eletrônico, mas também pode ser explorado em tentativas de fraude.

Em setembro de 2026, o Procon-SP alertou sobre uma modalidade de golpe em que criminosos conseguem substituir o QR Code ou o código Pix copia e cola apresentado durante o pagamento de compras online.

Nesse caso, o consumidor pode acreditar que está pagando uma loja legítima, quando o dinheiro está sendo direcionado para outra conta.

Para reduzir o risco, é fundamental conferir o nome e o CPF ou CNPJ do destinatário antes de confirmar a transferência.

Quando a operação envolve intermediadores de pagamento, os dados devem corresponder à instituição legitimamente informada no processo de compra.

Caso apareça um beneficiário desconhecido ou incompatível com a transação, o pagamento não deve ser autorizado.

O alerta foi divulgado pelo Procon-SP em 16 de setembro de 2026. 

6. Prefira métodos de pagamento com possibilidade de contestação

Além de verificar a segurança do site, é importante avaliar o método de pagamento.

O cartão de crédito pode oferecer mecanismos de contestação de cobranças indevidas, dependendo das circunstâncias da transação e das regras da instituição financeira.

O uso de cartões virtuais também pode reduzir a exposição dos dados do cartão físico, especialmente quando o banco permite gerar números temporários.

Já pagamentos por Pix e boleto exigem atenção adicional, pois a recuperação do dinheiro pode ser mais difícil quando o valor é transferido para fraudadores.

Isso não significa que essas modalidades sejam inseguras por natureza, mas que o consumidor deve verificar cuidadosamente os dados antes de concluir a operação.

No caso do Pix, vítimas de fraude podem solicitar à instituição financeira a abertura de uma contestação pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), previsto pelo Banco Central. A devolução, entretanto, não é garantida.

7. Cuidado com falsas taxas de entrega e mensagens sobre encomendas

Outro golpe envolve mensagens informando que uma compra está retida ou que existe uma taxa adicional para liberar a entrega.

O consumidor recebe um SMS, e-mail ou mensagem pelo WhatsApp com um link para pagamento.

Em alguns casos, os criminosos utilizam informações de entregas reais para tornar a comunicação mais convincente.

A recomendação é consultar o status do pedido diretamente no aplicativo ou no site da loja onde a compra foi realizada.

Se houver alguma cobrança adicional, a informação deve ser confirmada pelos canais oficiais.

Também é importante evitar o fornecimento de documentos, senhas ou dados bancários por meio de links enviados por desconhecidos.

8. Conheça seus direitos durante a Black Friday

A legislação brasileira protege o consumidor contra publicidade enganosa, descumprimento de ofertas e problemas relacionados à entrega.

Segundo a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), o Código de Defesa do Consumidor exige informações claras sobre preços, características dos produtos, condições de pagamento e custos adicionais.

Nas compras realizadas pela internet, o artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor prevê o direito de arrependimento em até sete dias, contados do recebimento do produto ou da contratação, conforme o caso.

Esse direito permite desistir da compra sem apresentar justificativa, observadas as condições legais.

Além disso, o artigo 35 estabelece alternativas ao consumidor quando o fornecedor se recusa a cumprir uma oferta, incluindo exigir o cumprimento, aceitar produto equivalente ou rescindir o contrato com restituição dos valores, conforme a situação.

Guardar comprovantes, capturas de tela e comunicações com o vendedor facilita a comprovação das condições anunciadas. 

9. O que fazer se cair em um golpe na Black Friday?

Mesmo com cuidados preventivos, consumidores podem ser vítimas de fraudes. Nesses casos, a rapidez na comunicação com as instituições envolvidas pode fazer diferença.

O primeiro passo é entrar em contato com o banco ou a operadora do cartão para informar a transação suspeita e solicitar as medidas de contestação disponíveis.

Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência e preservar comprovantes, mensagens, endereços eletrônicos e capturas de tela.

Se houver exposição de senhas ou informações de acesso, elas devem ser alteradas imediatamente. A autenticação em dois fatores pode ajudar a proteger as contas.

Quando o problema envolve uma relação de consumo com uma empresa identificável, o consumidor pode procurar o Procon ou registrar uma reclamação no portal Consumidor.gov.br, caso a empresa participe da plataforma.

O Procon de Santa Catarina também recomenda comunicar a plataforma utilizada na compra e reunir todas as provas disponíveis. 

10. Planejamento é a melhor forma de evitar compras por impulso

A prevenção contra golpes começa antes da Black Friday.

Criar uma lista dos produtos desejados, estabelecer um orçamento e acompanhar os preços reduz a necessidade de tomar decisões apressadas.

Segundo o Procon de Santa Catarina, foram registradas 3.756 reclamações relacionadas à Black Friday em novembro de 2023 e 3.614 em novembro de 2024.

Entre os problemas identificados estavam o descumprimento de ofertas, a publicidade enganosa e cobranças indevidas. 

Esses números mostram a importância de pesquisar antes de comprar e manter registros das condições comerciais.

Também vale desconfiar de anúncios que pressionam o consumidor a concluir a compra imediatamente, sem oferecer tempo para verificar as informações.

Uma promoção legítima deve apresentar condições claras, identificação do vendedor e meios adequados de atendimento.

Black Friday 2026: segurança deve vir antes do desconto

A Black Friday pode representar uma oportunidade para adquirir produtos por preços mais atrativos, mas a busca por economia não deve comprometer a segurança das transações.

Verificar o endereço das lojas, pesquisar a reputação dos vendedores, desconfiar de descontos exagerados e conferir os dados de pagamento são atitudes que ajudam a reduzir os riscos.

Também é importante conhecer os direitos previstos na legislação e saber quais canais procurar em caso de problemas.

Com planejamento e atenção aos detalhes, o consumidor pode aproveitar as promoções de novembro com mais tranquilidade, evitando que uma oferta aparentemente vantajosa se transforme em prejuízo financeiro.

Sobre a autora

Daiane de Souza é jornalista (registro profissional 0007147/SC), especialista em SEO, Digital PR e produção de conteúdo estratégico. Atua desde 2017 na área de comunicação, com experiência em jornalismo, assessoria de imprensa, marketing digital e produção de conteúdos para veículos de comunicação e empresas de diferentes segmentos.


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